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20 de Julho de 2017 | Santa Maria de Jetibá, ES

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154 Anos da Imigração

Riqueza de um povo é sua cultura

 

Descendentes de pomeranos celebram, neste final de semana, os 154 anos da chegada dos primeiros imigrantes ao Espírito Santo, em 28 de junho de 1859. Nesta sexta-feira 28 junho 2013 Estamos comemorando os 154 anos da chegada do povo pomerano no Brasil.

 

São inconfundíveis, entre outras, suas contribuições econômicas, políticas, culturais, religiosas, em diferentes contextos do cenário nacional. Infelizmente há poucas publicações disponíveis sobre o tema.

 

O número de estudos acadêmicos desenvolvidos sobre a presença e contribuições da cultura pomerana é ainda irrisório. Todavia há muito a se conhecer sobre os pomeranos, a respeito de sua história e do seu legado cultural.

 

Muitas vezes este povo foi considerado exótico, devido ao seu jeito peculiar de ser. Durante mais de 120 anos criou-se uma imagem fantasiosa em relação aos pomeranos, por vezes até estereotipada, reforçada pela mídia.

 

É necessário distinguir de forma inequívoca os aspectos especulativos e pejorativos daqueles que correspondem à realidade de lutas na produção da vida diária de cada um e de todos.

 

Diversas campanhas pela nacionalização dos imigrantes germânicos tiveram impactos muito negativos, principalmente sobre as gerações mais jovens. As perseguições e humilhações públicas por ocasião da Segunda Guerra àqueles que tinham alguma relação com a Alemanha, afetaram de maneira particular as comunidades pomeranas, principalmente quando foram forçadas a entregar seus livros para incineração e adotar o uso obrigatório da língua portuguesa nas escolas e nos templos. Estas são razões históricas que ajudam a explicar até certo ponto os motivos pelos quais as gerações mais novas têm vergonha de se comunicar em pomerano nos espaços públicos, de mostrar sem constrangimento sua culinária, de compartilhar seu modo de se vestir e praticar seus ritos espirituais.

 

Este povo é trabalhador, cultiva com muito suor e dedicação a terra que lhe dá o sustento. Os pomeranos reverenciam a natureza e as pessoas. São eternamente gratos a Deus por tudo que a terra lhes oferece em resposta ao trabalho realizado e por poderem viver em comunidade.

 

Os mutirões na abertura de estradas e construção de escolas comunitárias, o fervor da Festa da Colheita, realizada anualmente, o batizado, a confirmação e o casamento são exemplos marcantes disso.

 

Há que se implementar ações afirmativas oficiais para valorizar as origens e identidade campesina deste que é um dos povos tradicionais da organização social brasileira.  Seus territórios e saberes constituem cenários humanos e ecológicos sustentáveis belíssimos, a serem compartilhados, para fortalecer lutas coletivas por um mundo melhor e mais digno para todos.

 

Os mais velhos e as gerações mais jovens precisam ser incentivadas para se engajar em movimentos coletivos de luta política pela valorização da língua, que é falada atualmente por sujeitos de diferentes faixas etárias somente no Brasil. Inegavelmente o pomerano é idioma vivo e dinâmico.

 

Oportunizar mais estudos e pesquisas, conclamando principalmente as universidades e seus intelectuais para a tarefa de registrar e divulgar saberes deste povo é uma das possibilidades concretas e históricas de resgate da dívida social com os pomeranos hoje no país. Assim um número cada vez maior de pessoas e instituições aqui e no exterior poderá conhecer de forma efetiva aspectos da cultura, da identidade, enfim, das origens dos pomeranos, cujas primeiras famílias desembarcaram no Porto de Vitória em 28 de junho de 1859. Desde então fundaram e consolidaram comunidades reconhecidas no Estado do Espírito Santo, imprimindo para sempre importantes marcas na identidade espiritossantense. Mais tarde famílias migraram para outras regiões e Estados (PR, RO, PA), fertilizando outras culturas e delas recebendo influências, num movimento de trocas interculturais.
Este livro Pomeranos unter den Kreuz des Südens (Pomeranos sob o Cruzeiro do Sul) com certeza contribui para entender melhor quem são os pomeranos. Resulta de relatos colhidos em mais de quarenta encontros e palestras nas comunidades locais do ES, SC e RS na primeira metade da década de 1970. Na obra é evidente também o sentimento de perda e, ao mesmo tempo, de busca pelo resgate do próprio autor que, ao ser exilado aos 12 anos, perdeu o contato com as tradições de sua infância na Pomerânia, tradições estas que teve a oportunidade de reviver e recordar nas vezes quando esteve no Brasil em meio aos pomeranos.

 

Desde a década de quarenta do século XX houve intensa discriminação no uso de línguas germânicas entre nós, o que resultou nadesvalorização do estudo da língua alemã. Com isso poucas pessoas dominam o alemão na modalidade oral e, muito menos na escrita, no presente momento. Portanto, a tradução deste livro do alemão para o português oportunizará, certamente, para que essas e muitas outras pessoas, em diferentes contextos, tenham acesso ao seu importante conteúdo. Por esta razão a Associação de Cultura Alemã no Espírito Santo (ACAES) somou esforços, junto ao Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, para que esta obra pudesse ser traduzida e editada em português.
Vale ressaltar como o autor conseguiu captar e registrar tantas informações em período relativamente curto de convívio aqui no Brasil entre os pomeranos. Se não tivesse falecido tão jovem certamente poderia ter contribuído muito mais, pois hoje em dia os descendentes de pomeranos estão em franco movimento de valorização de sua identidade e cultura, o que na época era bastante raro.