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Hospital suspende procedimentos de pacientes que não moram em Domingos Martins
Publicado 6 de janeiro de 2019

 

Texto: Julio Huber / Juliano Rangel / Foto: Julio Huber

 

Domingos Martins , 05 Janeiro 2019

 

Procedimentos não considerados de urgência e emergência de pessoas que não moram em Domingos Martins foram suspensos pelo Hospital e Maternidade Dr. Arthur Gerhardt (HMAG), que fica na Sede do município. Com essa ação, partos de gestantes de outros municípios não serão mais realizados.

 

A atitude, segundo o interventor do hospital, Nelcimar Guarino Bastos, foi necessária devido às dívidas contraídas pela instituição nos últimos anos, que chegam perto de R$ 7 milhões. Nelcimar, que foi indicado interventor pelo Poder Judiciário, explicou que as despesas do hospital eram muito acima das receitas.

 

“Apenas o município de Domingos Martins tem convênio com o hospital, para procedimentos como cirurgias e partos. Infelizmente, as prefeituras dos demais municípios cujos pacientes até então eram atendidos, não repassam nenhum valor por meio de convênios. Todos os procedimentos que eram realizados dessas outras cidades ficavam na conta do hospital”, explicou o interventor.

 

Entretanto, Nelcimar contou que pacientes de qualquer cidade do Brasil que precisaram de atendimentos de urgência e emergência, serão atendidos normalmente. “Somos referência para o governo federal nesses atendimentos, que continuam normalmente”, informou.

 

 

Pacientes reclamam de falta de atendimento

 

Durante a semana, pacientes que moram em Domingos Martins relataram que não tiveram atendimentos no HMAG. As reclamações são da falta de profissionais das áreas de pediatria e obstetrícia para realizarem consultas e atendimentos na unidade de saúde.

 

Uma das pessoas que encontrou dificuldades para ser atendida, na última quarta-feira (02), foi à filha da senhora Geania Cordeiro dos Santos, que está grávida. Segundo a mãe da gestante, como a gravidez da filha já chegou a 40 semanas e ela estava sentindo algumas dores, ambas foram até o hospital buscando um atendimento com uma obstetra, mas naquele momento o atendimento só estava sendo feito por um clínico geral.

 

“Chegando ao hospital passamos pela triagem e logo depois fomos atendidas. Uma clínica geral, recém-formada, a examinou e chamou outro clínico para fazer o exame de toque para saber quantos centímetros ela tinha dilatado. Perguntei ao clínico e ele não soube falar direito, e informou que só o obstetra poderia informar certo, sendo que não tinha obstetra para examinar ela. Na recepção, o rapaz falou que até esta sexta-feira (04) teria pediatra e que não sabia quando ia ter pediatra novamente”, contou Geania.

 

Já a moradora da região de Melgaço, Lana Custodio Ferreira, também conta que foi informada que a unidade não conta mais um profissional da área de pediatria. “Me informaram que no Pronto Atendimento do hospital já não havia mais médico pediatra”, contou Lana.

 

Nesta sexta-feira (04), a moradora Roberta Lacerda e a reportagem do Montanhas Capixabas ligaram para o hospital e ambas foram informadas pela recepcionista que apenas os clínicos gerais estavam atendendo os pacientes e que não existe uma previsão para contar com um profissional da área na unidade.

 

Atendimento normal – Entretanto, o interventor Nelcimar Guarino Bastos explicou que ocorreu um equívoco dos atendentes ao passarem a informação. Segundo ele, há pediatras de plantão 24 horas, todos dos dias da semana. Ele explicou que o profissional fica no andar superior, onde fica a maternidade, e os atendentes não tinham essa informação.

 

“Posso assegurar que em nenhum dia faltou pediatra no hospital. O que ocorre é que há a regra nacional de saúde que determina que todos os pacientes que chegam ao hospital, precisam passar pela consulta com o clínico geral. Dependendo da situação, ele encaminha para o pediatra ou a outro profissional especializado. Todos podem ficar tranquilos que em nenhum dia faltou e nem vai faltar pediatra”, explicou.

 

Nelcimar informou ainda que o médico obstetra trabalha no sistema de sobreaviso, 24 horas por dia. Nesse caso, ele comparece ao hospital quando for solicitada a sua presença pelo clínico geral. “Muitas vezes, o plantonista pode ligar para o obstetra e relatar a situação de uma paciente. Juntos, eles podem definir se será preciso a presença do obstetra naquele atendimento”, relatou.

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