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Pesquisadores descobrem nova espécie de anfíbio no Espírito Santo
Publicado 8 de agosto de 2019

Luetkenotyphlus fredi - Cecilia - cobra-cega - Foto Thiago Marcial edit

Luetkenotyphlus fredi – Cecilia – cobra-cega. Foto: Thiago Marcial

 

 

A Luetkenotyphlus fredinova espécie de Cecília (cobra-cega) – foi encontrada na região sul do Estado e está tombada no Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), em Santa Teresa-ES, e no Museu Goeldi, no Pará. Não há registro dessa espécie em nenhuma outra parte do mundo.

 

 

Em 2017, um grupo de alunos do Centro Universitário São Camilo, coordenado pelo biólogo e pesquisador Thiago Marcial de Castro, iniciou um projeto de inventário com os anfíbios e répteis na Mata do Ouvidor, área florestal particular, de propriedade da Usina Paineiras, localizada no município de Itapemirim.

 

 

Posteriormente, em 2018, pesquisadores da UERJ – sob a coordenação da Dra. Jane C. F. de Oliveira – descobriram a Luetkenotyphlus fredi (espécie de Cecília), nos remanescentes de floresta do Monumento Natural Estadual Serra das Torres (Monast), que abrange os municípios de Átílio Vivácqua, Mimoso do Sul e Muqui.

 

 

Essa é uma das mais de 50 espécies de cobras-cegas ou cecílias já catalogadas. Dos três indivíduos coletados, dois estão tombados no Museu Paraense Emílio Goeldi e um no Instituto Nacional da Mata Atlântica.

 

 

A parceria para a descrição taxonômica e da espécie foi feita com o Dr. Adriano Maciel, do Museu Paraense Emilio Goeldi que liderou as avaliações genéticas e morfológicas desta espécie até então desconhecida para a ciência.

 

 

De acordo com o biólogo Thiago Marcial, pouco se sabe sobre essa espécie. “Devido ao pequeno número de indivíduos encontrados até o momento, não são conhecidas ainda informações da história natural da espécie, tal como número de filhotes, dieta, ou mesmo informações mais específicas de horário de atividade ou de como utiliza o substrato nas florestas onde vive”, explicou.

 

 

Para a Dra. Jane C. F. de Oliveira, a Serra das Torres já revelou a importante biodiversidade que tem guardada em suas florestas.

 

 

“Outros importantes estudos foram publicados para o Monumento, mas esta é a primeira espécie nova descrita para a Unidade e a primeira deste gênero que é endêmica do Espírito Santo. Luetkenotyphlus fredi mostra o quanto as matas da Serra das Torres são importantes para preservar espécies raras”, disse.

 

 

Thiago revela que o nome escolhido para a nova espécie é uma homenagem ao biólogo Dr. Carlos Frederico Duarte Rocha (Fred Rocha), por sua imensa contribuição aos estudos de ecologia de anfíbios e répteis no Brasil e no mundo, além dos esforços para a conservação da Mata Atlântica.

 

 

“A descoberta de uma espécie tão rara eleva a importância da biodiversidade capixaba e fortalece a iniciativa da conservação nos ambientes florestais onde foram registradas, podendo ser uma ferramenta para o incentivo à pesquisa, ou mesmo se tornar espécie bandeira, além de dar maior propulsão às políticas públicas em prol da conservação”, analisou Thiago.

 

 

Thiago Marcial de Castro. Foto Leo Meira

A espécie encontrada por Thiago Marcial está tombada no INMA. Foto: Leo Meira

 

 

O que são Cecílias?

 

 

As Cecílias são anfíbios, geralmente, difíceis de serem encontrados na natureza porque estão quase sempre escondidos no solo, e o único método até agora eficiente para coletá-los é cavando com enxadas ou ferramentas semelhantes.

 

 

A Luetkenotyphlus fredi é, até o momento, natural do estado do Espírito Santo e restrita às duas localidades onde foi encontrada (Mata do Ouvidor e Serra das Torres), ou seja, esta espécie não é conhecida em nenhuma outra parte do mundo.

 

 

 

 

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