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Santa Maria de Jetibá: a cidade das 12 milhões de galinhas
Publicado 11 de novembro de 2017

 

 

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Santa Maria de Jetibá, nas montanhas capixabas, possui uma população de quase 40 mil habitantes (39.928), segundo dados atuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Colonizada por pomeranos – um povo originário da Pomerânia, na região do Mar Báltico, entre a Alemanha e a Polônia – é uma cidade pacata do interior do Espírito Santo, que mantém, até hoje, as tradições trazidas pelos imigrantes, como a língua, a dança, os costumes e a culinária.

 

 

 

Mas não é só isso que chama a atenção por lá. Sozinho, o município produz mais de 250,4 milhões de dúzias de ovos/ano. O dado faz parte de um recente levantamento da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE, em setembro. O resultado mantém a cidade como segunda maior produtora de ovos do País, perdendo apenas para Bastos (SP), que produz 250,5 milhões de dúzias de ovos/ano.

 

 

 

Em se tratando de número de galinhas, Santa Maria de Jetibá salta a cidade paulista e ocupa o primeiro lugar com 12.050.015 unidades. Enquanto Bastos (SP) ocupa a segunda colocação no ranking com 11.432.399 galinhas poedeiras, de acordo com o mesmo levantamento.

 

 

 

Tamanha produção se deve, principalmente, às raízes deixadas pelos colonizadores, eminentemente agrícola. Atualmente, Santa Maria de Jetibá é o maior pólo avícola do Espírito Santo, concentrando 92,99% da produção de ovos no Estado. É o que revela o “Perfil da Avicultura Capixaba”, pesquisa realizada pela Associação de Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES).

 

 

 

“Eu não vejo Santa Maria hoje sem a avicultura. A produção de ovos é o que sustenta a cidade. E junto com ela tem toda uma cadeia ao redor que garante força a atividade”, comenta o avicultor Horácio Müller, há 17 anos na atividade.

 

 

 

E ele tem razão. A avicultura é um setor importante para a economia do Espírito Santo. A atividade gera aproximadamente 18 mil empregos diretos e indiretos. Além desses empregos, o setor avícola capixaba contribui com a manutenção de mais de cem mil empregos em todo o Estado, principalmente através da agricultura, fruticultura e hortifruticultura, que utilizam grande quantidade de adubo orgânico produzido pela atividade. Segundo levantamentos da Associação de Avicultores do Espírito Santo, a produção interna de adubo de aves é de cerca de 40.000 toneladas por mês.

 

 

 

De acordo com Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geográfica e Estatística, a produção nacional de ovos de galinha foi de 3,82 bilhões de dúzias em 2016, alta de 1,3% em relação a 2015 e rendimento de R$ 11,46 bilhões.

 

 

 

 

Produção concentrada em propriedades familiares

 

 

Boa parte da produção de ovos de Santa Maria de Jetibá está concentrada em pequenas propriedades familiares. O portal Montanhas Capixabas conversou com algumas dessas famílias e descobriu que a avicultura é muito mais que um bom negócio. É, para muitos, uma paixão.

 

 

 

Quem chega ao Sítio da Serra, na localidade de Vila Jetibá, é recebido pela avicultora Joelma Schultz ao estilo pomerano: “Moin!” – Bom Dia, em português. Na propriedade, ela possui 9 mil aves, que juntas produzem 7 mil ovos/dia. Ter uma granja sempre foi uma vontade de Joelma Schultz.

 

 

 

“Minha família sempre mexeu com aves. Mas eu só comecei há quatro anos. Trabalhava como técnica de laboratório e abandonei tudo pela avicultura”, revela a avicultora.

 

 

 

Joelma explica que o trabalho é muito prazeroso, mas exige atenção. “Eu amo muito o que eu faço. Tenho muito amor pelas minhas aves. A avicultura é um bom negocio, mas exige muito também. São sete dias por semana, sem folga, sem feriado. Além disso, o investimento é muito alto”, explica.

 

 

 

Para manter o negócio, a avicultora conta com apoio da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) que oferece todo o suporte aos pequenos produtores. “Ela fornece técnicos, compra o ovo, fornece ração, entrega na minha propriedade. Sem a cooperativa seria bem mais difícil porque o investimento é alto para você montar uma fábrica, escoar a produção. Eu só entrei na avicultura porque a Coopeavi me ajudou”, revela Joelma.

 

 

 

A propriedade da avicultora é uma das 75 ligadas à Cooperativa Agropecuária Centro Serrana. Fundada em 1964, a Coopeavi representa cerca de um milhão de aves, em sua maioria pequenos e médios produtores. Juntas, as propriedades representam mais da metade dos estabelecimentos produtores de ovos do município, segundo levantamento da Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES).

 

 

 

 

 

Cooperativa garante comercialização e qualidade do ovo produzido em Santa Maria de Jetibá

 

 

Mais de 30 por cento do ovo produzido em todo o Espírito Santo é destinado ao consumo interno. O restante abastece o Rio de Janeiro (28%), Bahia (22%), Minas Gerais (13%) e São Paulo (4%), segundo dados do “Perfil da Avicultura Capixaba”. Somente a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana comercializou, ano passado, 382 mil caixas de 30 dúzias.

 

 

“A comercialização de ovo é o elo entre o produtor e a cooperativa. O cooperado vende tudo o que produz para nós e, desta forma, garantimos segurança financeira dele e, a partir daí, destinamos o produto ao mercado”, explica o gerente-executivo de produção da Coopeavi, Luís Carlos Brandt.

 

 

 

A cooperativa possui, atualmente, centrais de comercialização em Itabuna e Salvador, na Bahia, Caratinga, em Minas Gerais, e em Santa Maria de Jetibá. Outra preocupação da Coopeavi é com a qualidade dos ovos produzidos pelos cooperados.

 

 

 

“Hoje, o mercado exige ovos de qualidade. Por isso, criamos concursos para mostrar que o ovo capixaba é o melhor. Além disso, temos um sistema de rastreabilidade onde o consumidor pode entrar no portal da cooperativa na internet (www.coopeaviovos.com.br/) e descobrir quem produziu aquele ovo, que horas e quando. Desta forma, a gente está ligando a família que compra o nosso ovo à família que o produziu em Santa Maria de Jetibá. Isso dá segurança ao consumidor”, garante Luís Carlos Brandt.

 

 

 

 

 

Condomínio avícola é promessa de aumento na produção de ovos e redução de custos

 

O alto investimento é a principal barreira para quem pretende entrar na atividade avícola, uma vez que é preciso construir galpão, comprar aves, insumos e contratar mão de obra. Mas, graças ao cooperativismo, os avicultores ligados à Cooperativa Agropecuária Centro Serrana tem uma alternativa para produzir com menos custos: o Condomínio Avícola.

 

 

 

Pioneiro no Brasil e inaugurado no segundo semestre do ano passado, em Alto Caldeirão, município de Santa Teresa, o projeto surgiu de um cooperado, com o intuito de democratizar uma produção de alta escala para pequenos avicultores.

 

 

“Eu via os nossos galpões e pensava como o custo era alto. E disse que a gente deveria se reunir e montar uma granja de 100 mil galinhas. Conversei com um veterinário da Coopeavi. Ele gostou da ideia e levou o assunto para a cooperativa”, conta o avicultor Horácio Müller, idealizador do projeto.

 

 

 

Um primeiro galpão já está em funcionamento e um segundo está sendo construído. Com o condomínio, a cooperativa pretende tornar o investimento acessível aos avicultores familiares cooperados, padronizar manejo e produto, possibilitando o acesso a mercados mais exigentes e possibilitar a diversificação dos negócios.

 

 

 

“O condomínio avícola é uma oportunidade para o cooperado aumentar a produção de uma forma mais diversificada uma vez que ele está aberto a todos os nossos associados. Quer um exemplo: se um agricultor planta café e não tem espaço para construir uma granja na propriedade, ele pode se inscrever e participar do condomínio. É bom para todo mundo”, explica o gerente-executivo de produção da Coopeavi, Luís Carlos Brandt.

 

 

 

Cada cooperado interessado pode adquirir uma cota de galinhas para serem alojadas nos galpões automáticos construídos pela cooperativa. “Os pequenos avicultores têm que encarar isso como uma realidade. Nós dependemos muito da cooperativa. Ela é uma incentivadora. Se não fosse o suporte que eu tenho na cooperativa eu não estaria no mercado. Eu estou muito satisfeito com o hoje e esperançoso com o nosso futuro.”, finaliza o avicultor Horácio Müller.

 

 

 

 

 

Texto: Bruno Faustino / Foto: Leandro FIdelis / Asscom COOPEAVI

Montanhas Capixabas

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